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A Piedade Popular e Espírito do Advento

 

 

Como lembra o Concílio Vaticano II, a Liturgia é o ponto alto da ação da Igreja (SC 10). Através da liturgia “o Pai, por Cristo e no espírito Santo santifica a Igreja e, por ela, o mundo” (Puebla 917). Embora, nenhuma outra ação da Igreja se iguale à liturgia, nem em eficácia nem em grau, ela, a liturgia, não é o único meio de santificação dos fiéis. As devoções e a piedade popular são também realidades eclesiais promovidas e sustentadas pelo Espírito Santo, capazes de provocarem uma autêntica experiência de Deus. Liturgia e piedade popular não se opõem, pelo contrário, como orienta o Concílio Vaticano II, as práticas de piedade do povo cristão (...) “devem se harmonizar com os tempos litúrgicos e ser organizadas de tal maneira que condigam com a sagrada liturgia, dela de alguma forma derivem e para ela encaminhem o povo” (SC 13). “Liturgia e piedade popular, são portanto, duas expressões cultuais que devem ser postas em mútuo e fecundo contato”. De um lado, a piedade popular, com sua riqueza simbólica e expressiva é capaz de proporcionar à liturgia um dinamismo criador e servir para encarnar mais e melhor a oração universal da Igreja nas diversas culturas. Por outro lado, a liturgia deverá ser o ponto de referência para orientar com lucidez e prudência os anseios de oração e vitalidade carismática que se encontram na piedade popular.

Tendo claro esta relação entre liturgia e piedade popular passo a transcrever algumas orientações do “Diretório sobre Piedade Popular e Liturgia” a respeito do Advento.

A piedade popular é sensível ao tempo do Advento, sobretudo enquanto memória da preparação da vinda do Messias. No povo cristão está solidamente enraizada a consciência da longa espera que precedeu o nascimento do Salvador. Os fiéis sabem que Deus mantinha, por meio de profecias, a esperança de Israel na vinda do Messias.

A piedade popular não deixa de lembrar o evento extraordinário, ou melhor, ela o exalta cheia de admiração, quando o Deus da glória se fez menino no seio de uma mulher virgem, humilde e pobre. Os fiéis são particularmente sensíveis às dificuldades que a Virgem Maria teve de enfrentar durante a gravidez e se comovem ao pensar que na hospedaria não havia lugar para José e Maria, quando esta estava para dar à luz o Menino”(97).

A solenidade da Imaculada Conceição (8 de dezembro), que acontece durante o Advento, “dá lugar a muitas manifestações de piedade popular, cuja expressão principal é a novena da Imaculada. Não há dúvida de que o conteúdo da festa da Imaculada Conceição de Maria, enquanto preparação fontal para o nascimento de Jesus, se harmoniza bem com alguns temas referentes ao Advento: ela também remete à longa espera messiânica e relembra profecias e símbolos do Antigo Testamento, usados também na liturgia do Advento.

Acompanhada de inúmeras manifestações populares, no Continente Americano, celebra-se, na aproximação do Natal, a festa de Nossa Senhora de Guadalupe (12 de dezembro), a qual ajuda muito a disposição de acolher o Salvador: Maria, unida intimamente ao nascimento da Igreja na América, foi a Estrela radiante que iluminou o anúncio de Cristo Salvador aos filhos destes povos” (102).

Uma prática muito comum entre o povo é a armação do presépio durante o Advento. Desta prática participam com muita alegria e entusiasmo as crianças. Não resta dúvida que esta é uma “ocasião para que os vários membros da família se coloquem em contato com o mistério do Natal e se recolham de vez em quando para um momento de oração ou de leituras das páginas bíblicas referentes ao nascimento de Jesus” 104).

Muitas outras  expressões de piedade popular que mantém a fé do povo e transmitem, de uma geração a outra, a consciência de alguns valores do tempo litúrgico do Advento poderiam ainda ser citadas e comentadas. O espaço, porém, não nos permite. No entanto, citemos ainda a conclusão do “Diretório” sobre “piedade popular e o tempo do Advento”.

“A piedade popular, por sua compreensão intuitiva do mistério cristão, pode contribuir eficazmente para salvaguardar alguns valores do Advento, ameaçados por um costume no qual a preparação do Natal se reduz a uma “operação comercial” com mil propostas vazias provenientes de uma sociedade consumista.

De fato, a piedade popular percebe que não se pode celebrar o Natal do Senhor a não ser num clima de sobriedade e de alegre simplicidade e com uma atitude de solidariedade para com os pobres e os marginalizados. A expectativa do nascimento do Salvador a torna sensível ao valor da vida e ao dever de respeitá-la e protegê-la desde a sua concepção. A piedade popular intui também que não se pode celebrar coerentemente o nascimento daquele “que salvará seu povo dos seus pecados (Mt 1,21) sem realizar um esforço para eliminar de si mesmo o mal do pecado, vivendo na vigilante espera daquele que voltará no final dos tempos” (105).).

 
 
 
fonte dioceseprocopense.org.br
 
 

Dom Manoel João Francisco

Bispo Diocesano

fonte dioceseprocopense.org.br