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PALAVRA DO NOSSO BISPO DOM MANOEL

 

Palavra do Bispo Dom Manoel

 

Centenário de Dom Romero

 

 

 

No dia 15 deste mês de agosto, se vivo, Dom Oscar Arnulfo Romero teria completado cem anos de vida. Para esta oportunidade a Arquidiocese de São Salvador, capital de El Salvador, onde ele exerceu seu ministério episcopal, realizou uma grande celebração. O papa Francisco foi representado nesta festividade pelo Arcebispo de Santiago do Chile, o Cardeal Ricardo Ezzati Andrello.

         Entre os vários gestos celebrativos, foi de alto significado a caminhada de três dias entre São Salvador e São Rafael Cedros, no Departamento de Cuscatlán, terra natal de Dom Romero. Motivados pelo lema: “Caminhando ao local do nascimento do profeta”, os fiéis carregaram uma imagem de Dom Romero, outra de Nossa Senhora, Rainha da Paz e uma Cruz.

         Dom Romero tornou-se uma pessoa famosa por causa de sua ação em favor do povo sofrido de seu país, explorado e espoliado por uma ditadura totalmente alinhada com a política de dominação e exploração dos Estados Unidos.

         Todos os domingos, nas missas celebradas na catedral de sua arquidiocese, durante a homilia, denunciava as injustiças cometidas pelo exército contra o povo. Estas homilias eram ouvidas pelos que participavam da missa, dentro e fora da igreja, através de telões montados na praça e ruas próximas, e por milhares de rádio ouvintes, através da rádio da arquidiocese e da “Rádio Notícias do Continente” de Costa Rica. Foi por isso chamado de “A voz dos sem voz”.

         Com um tiro certeiro, um atirador de elite do exército salvadorenho, treinado na Escola das Américas, assassinou Dom Romero. Foi no dia 24 de março de 1980, enquanto celebrava a missa no altar da capela do hospital “Divina Providência”, misturando o sangue da vítima divina com o sangue da vítima humana, sinal da aliança da verdadeira libertação que é, ao mesmo tempo, histórica e transcendente. Foi um dia depois de ter feito um forte chamado aos soldados do exército com estas palavras: “Diante de uma ordem de matar comandada por um homem, deve prevalecer a Lei de Deus que diz não matar. Em nome de Deus e desse povo sofredor, cujos lamentos sobem aos céus todos os dias, peço-lhes, suplico-lhes, cessem a repressão”. Diante deste fato é muito difícil separar sua morte de suas homilias.

         Dom Sérgio Méndez Arceo, bispo de Cuernavaca, no México, comentando as homilias de Dom Romero, afirmou que elas foram “sua melhor arma. Não a única, mas nelas apareciam suas outras armas e sua mensagem. Foram sua obra de arte, elaboradas dia a dia laboriosa e alegremente, como um espelho de sua piedade e de seu amor a Deus”.

         Diante da perseguição de que estava sendo alvo, um grupo de mais de trinta bispos, presentes da Conferência do Episcopado latino-americano em Puebla, no México, enviou uma mensagem de apoio a Dom Romero em que, entre outras coisas, afirmam: “Estamos conscientes de que nesta tarefa te acompanha a cruz. Porém, é precisamente através da prova que mostramos nossa fidelidade cristã ao Evangelho. Em tua Arquidiocese, em dois anos, quatro de teus sacerdotes, foram assinados juntamente com vários leigos, mais de dez foram expulsos, foram executados atentados contra instituições eclesiais, o povo dos pobres, destinatário principal da missão da Igreja, tem sido reprimido de maneira crescente, e a missão de tua Igreja obstaculizada continuamente, amedrontando catequistas e celebradores da Palavra, tornando, desta forma, perigosa a convocação das comunidades cristãs. Em meio a tudo isso, acusado e difamado junto com todos que buscam caminhos, tu tens te mantido firme, sabendo que é preciso obedecer mais a Deus do que aos homens”.

         Mais recentemente, por ocasião de sua beatificação, o Papa Francisco assim se expressou a respeito de Dom Romero: “Neste bonito país centro-americano, banhado pelo Oceano Pacífico, o Senhor concedeu à sua Igreja um Bispo zeloso que, amando a Deus e servindo aos irmãos, tornou-se imagem de Cristo Bom Pastor. Em tempos difíceis de convivência, Dom Romero soube guiar, defender e proteger o seu rebanho, permanecendo fiel ao Evangelho e em comunhão com toda a Igreja. O seu ministério se destacou pela atenção especial aos pobres e marginalizados. No momento de sua morte, enquanto celebrava o santo sacrifício de amor e reconciliação, recebeu a graça de identificar-se plenamente com Aquele que deu a vida por suas ovelhas”.

         Pe. José Oscar Beozzo, historiador da Igreja da América Latina, tendo acompanhado de perto toda a trajetória de santificação de Dom Romero, presenteia-nos com esta afirmação: “A santidade de Dom Romero é também uma santidade programática que remete à evangélica opção preferencial pelos pobres, a uma fé atuante no mundo e à profecia como inarredável tarefa dos pastores e de todos os batizados, num continente nominalmente cristão, que convive em aparente indiferença, com as seculares desigualdades e injustiças que marcam nossas sociedades dos tempos coloniais até hoje”.

         Que, nestes tempos de Papa Francisco, as comemorações do centenário de Dom Romero, seja mais uma oportunidade para buscarmos ser, sempre mais, uma Igreja “em saída”.

fonte dioceseprocopense.org.br

 

 

Enviado pelo amigo e jornalista Paulo Bueno - PASCOM